Portal da Cidade Vargem Grande do Sul

SAÚDE ANIMAL

Cachorro pedindo comida nem sempre está com fome, explica especialista da USP

Em entrevista ao Portal da Cidade, professora alerta para os riscos de alimentos humanos, excesso de petiscos e dietas improvisadas para cães e gatos

Publicado em 23/10/2026 às 10:01
Atualizado em

Cachorro pedindo comida nem sempre está com fome, explica especialista da USP (Foto: Ilustrativa)

A insistência de um cachorro ou gato em pedir comida não significa, necessariamente, que ele esteja com fome ou precise receber mais alimento. A orientação é da professora Stephanie de Souza Theodoro, da Universidade de São Paulo (USP), que concedeu entrevista ao Portal da Cidade Vargem Grande do Sul sobre erros frequentes na alimentação de animais domésticos.

Integrante do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos (FZEA), em Pirassununga, a especialista explica que a quantidade de alimento deve considerar fatores como peso, condição corporal, atividade física e possíveis doenças.

"O hábito de pedir comida não significa, necessariamente, que suas necessidades nutricionais não estejam sendo atendidas", esclarece.

Segundo Stephanie, o excesso de porções, o consumo de restos das refeições e a suplementação sem orientação estão entre os problemas mais frequentes.

A professora lembra que cães e gatos possuem necessidades nutricionais distintas.

"Cães e gatos têm necessidades diferentes: o alimento de cães, por exemplo, não deve substituir a alimentação própria para gatos."

O PERIGO DOS ALIMENTOS CONSUMIDOS PELAS PESSOAS

Produtos comuns na alimentação humana podem representar riscos importantes para os animais.

Chocolate, café, bebidas alcoólicas, cebola e alho estão entre os itens que devem permanecer fora de seu alcance. Em cães, a especialista destaca também uvas, passas, macadâmias e produtos com xilitol.

A ingestão de ossos pode provocar engasgos, lesões e obstruções, enquanto alimentos excessivamente gordurosos também podem causar problemas.

"Diante de uma possível ingestão tóxica, o responsável deve procurar orientação veterinária imediatamente, mesmo que o animal ainda pareça bem."

A recomendação é informar ao profissional o alimento ingerido, a quantidade aproximada e o horário da ingestão. Guardar a embalagem ou fotografar o produto também pode ajudar na avaliação.

Stephanie alerta que soluções caseiras podem agravar a situação e atrasar o atendimento.

"Não se deve provocar vômito nem oferecer leite, óleo, sal, carvão ativado ou medicamentos por conta própria."

PETISCOS TAMBÉM PRECISAM SER CONTROLADOS

Recompensas alimentares fazem parte da rotina de muitos animais, mas precisam ser consideradas no cálculo das calorias consumidas diariamente.

"Petiscos também entram na conta da alimentação diária", destaca a professora.

Para animais saudáveis, esses alimentos e outros extras devem representar, em geral, no máximo 10% das calorias diárias. A recomendação pode ser mais restritiva em situações específicas, como doenças e programas de emagrecimento.

A especialista sugere pesar as porções de ração e reservar parte da alimentação diária para recompensas, evitando aumentar a quantidade total consumida.

Outra orientação envolve as pessoas que convivem com o animal.

"Todos da casa precisam combinar o que será oferecido, pois pequenas quantidades dadas por várias pessoas se acumulam."

Além da alimentação, o acompanhamento do peso e da condição corporal ajuda a identificar alterações que podem exigir ajustes nutricionais.

DIETAS CASEIRAS NÃO DEVEM SER IMPROVISADAS

A professora explica que a alimentação preparada em casa pode ser adotada, mas precisa de formulação individualizada por profissional capacitado em nutrição animal.

Uma combinação de carne, arroz e legumes, por exemplo, não garante o fornecimento de todos os nutrientes necessários.

"A receita precisa especificar ingredientes, quantidades, preparo e suplementação, quando necessária."

A substituição de ingredientes ou a retirada de suplementos pode comprometer o equilíbrio nutricional. Também é necessário observar higiene, cozimento e armazenamento adequados.

Mudanças de dieta exigem atenção especial quando envolvem animais idosos, filhotes, gestantes ou aqueles que apresentam doenças renais, diabetes e alterações urinárias.

A transição alimentar costuma ser gradual, mas deve respeitar as condições individuais do animal.

"Gatos nunca devem ser deixados sem comer para 'aceitar' o novo alimento", alerta Stephanie.

SINAIS QUE NÃO DEVEM SER IGNORADOS

Mudanças persistentes no apetite, vômitos recorrentes, diarreia, dificuldade para engolir, perda de peso sem explicação e alterações importantes na ingestão de água devem motivar avaliação veterinária.

A recusa alimentar em gatos merece cuidado especial. Conforme a professora, a falta de alimentação pode provocar consequências importantes em aproximadamente 24 horas, sobretudo em animais doentes ou filhotes.

Situações como suspeita de intoxicação, desmaios, convulsões, dificuldade respiratória e tentativas de urinar sem conseguir exigem atendimento imediato.

Para a especialista, uma alimentação adequada depende tanto da qualidade nutricional quanto da quantidade oferecida e das necessidades de cada animal. O acompanhamento profissional permite identificar problemas e orientar ajustes antes que comprometam sua saúde.

Fonte: Entrevista concedida ao Portal da Cidade pela professora Dra. Stephanie de Souza Theodoro, da FZEA/USP, e Diretrizes para a Avaliação Nutricional da WSAVA.

Fonte: Portal da Cidade Vargem Grande do Sul

Envie sua notícia