empregos no agro
Recuo de Trump nas tarifas traz expectativa, mas Vargem perde 1.235 empregos
Decisão favorece o agro da região, mas recuperação do emprego será lenta; Agropecuária é responsável por 92% das vagas perdidas
Publicado em 29/11/2025 às 09:18
A decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de retirar a sobretaxa de 40% sobre as importações brasileiras reacendeu o otimismo no setor agroexportador da região de São João da Boa Vista, mas o mercado de trabalho em Vargem Grande do Sul enfrenta uma crise severa. A cidade registrou um saldo negativo de 1.235 postos de trabalho nos últimos três meses, conforme dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
O recuo de Trump é visto como um alívio para as commodities locais, especialmente o café, e pode, no médio prazo, aliviar a pressão sobre a renda agrícola e o emprego. Contudo, o balanço de agosto a outubro em Vargem Grande do Sul mostra que a crise no campo ainda é o fator dominante no mercado de trabalho local, sendo a cidade um dos maiores focos de demissões na microrregião.
Crise no Agro Puxa Demissões em Vargem Grande do Sul
O setor de Agropecuária foi o principal responsável pelo saldo negativo na cidade, fechando 1.138 vagas no período, o que representa impressionantes 92% do total de postos perdidos. O desempenho de Vargem Grande do Sul, com 308 admissões e 1.543 desligamentos no total, reflete a tendência regional, onde o agronegócio foi o mais afetado, contribuindo para o fechamento de 3.050 vagas formais em outubro na microrregião.
A análise setorial em Vargem Grande do Sul revela que, além da Agropecuária (-1.138), o Comércio e o setor de Serviços também contribuíram para o saldo negativo, fechando 77 e 14 vagas, respectivamente. A Indústria teve uma perda mais contida, com 9 postos de trabalho a menos. Em contraste, o setor de Construção foi o único a registrar saldo positivo, com a abertura de 3 vagas.
Otimismo no Mercado Exportador
Apesar dos números negativos no emprego, a notícia sobre a retirada da tarifa americana injeta otimismo no mercado exportador. O vice-diretor regional do Ciesp, Adriano Alvarez, explica que a decisão de Trump decorre de pressões internas nos EUA para estabilizar a inflação em alimentos e commodities.
Para a região, que tem forte dependência das exportações agropecuárias, o efeito tende a ser imediato na melhora de preços e no ritmo de embarques. "Com a retirada da tarifa, esperamos um aumento nos preços pagos ao produtor e uma aceleração dos embarques. É um movimento visto com muito otimismo", destaca Alvarez.
No entanto, o especialista alerta que a recuperação do emprego no campo deve ser lenta. A mecanização acelerada e as condições de crédito desfavoráveis são fatores estruturais que continuam a pressionar a necessidade de mão de obra, deixando o setor agrícola diante de mais um ano desafiador.
Fonte: Portal da Cidade Vargem Grande do Sul
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