Portal da Cidade Vargem Grande do Sul

CIÊNCIA

De Vargem Grande do Sul para os EUA: Cyberdragons garante vaga em Mundial de Robótica

Equipe do Colégio Vitória disputará competição internacional em Houston, em 2027, após temporada de conquistas no Brasil e no exterior

Publicado em 26/10/2026 às 15:50
Atualizado em

De Vargem Grande do Sul para os EUA: Cyberdragons garante vaga em Mundial de Robótica (Foto: divulgação/Cyberdragons.)

Uma equipe de jovens estudantes de Vargem Grande do Sul está conquistando espaço nas competições de robótica do Brasil e do exterior. Formada por alunos do Colégio Vitória, a Cyberdragons garantiu classificação para o Mundial da RoboRAVE, previsto para novembro de 2027, em Houston, nos Estados Unidos.

A conquista integra uma temporada de resultados expressivos, que inclui títulos nacionais, um vice-campeonato mundial no Canadá e participações em competições internacionais no Chile. Além das medalhas, o projeto aposta no desenvolvimento da autonomia, da responsabilidade e do trabalho em equipe entre crianças e adolescentes.

À frente da Cyberdragons está Matheus Giglio da Silva, técnico e coordenador da equipe, responsável por orientar os estudantes na construção, programação e preparação dos robôs para os torneios. Em entrevista ao Portal da Cidade, Matheus destacou que as competições representam muito mais do que uma oportunidade de demonstrar conhecimentos tecnológicos.

Equipe também conquistou classificação para Mundial em Porto Rico

Outro resultado importante da temporada foi a conquista do primeiro lugar na etapa nacional da World Robot Olympiad (WRO), disputada em Joinville, Santa Catarina.

A Cyberdragons venceu a categoria Junior, que reuniu 41 equipes concorrendo a uma única vaga para a final internacional, marcada para dezembro de 2026, em San Juan, Porto Rico. O número corresponde exclusivamente à categoria disputada pelos estudantes, sem incluir os participantes dos demais níveis e modalidades do torneio.

O trio campeão foi formado por Guilherme Gambarotto Oliva dos Santos, de 13 anos; Enzo Gabriel Porto Mendonça, de 11; e Mateus Henrique da Silva, de 14 anos.

Embora tenha conquistado a classificação, a Cyberdragons não participará da etapa internacional em Porto Rico.

Segundo Matheus, a possibilidade de conquistar uma terceira vaga mundial em 2026 não estava entre as expectativas iniciais da equipe, que já havia participado de competições internacionais no Canadá e no Chile. “A possibilidade de participar de um terceiro mundial este ano foi uma surpresa”, relatou o técnico.

O título nacional permanece como um dos resultados mais importantes da trajetória recente do projeto, especialmente pelo elevado número de concorrentes e pela disputa de apenas uma vaga internacional na categoria.

Equipe conquistou o título nacional da categoria Junior em Joinville, mas não participará do Mundial de Porto Rico. Foto: divulgação/Cyberdragons.

Próximo desafio será na Paraíba

Entre os dias 17 e 19 de novembro de 2026, quatro estudantes representarão a equipe na etapa nacional da FIRA, na cidade de Conde, na região de João Pessoa, na Paraíba.

A classificação foi conquistada durante a etapa estadual, realizada em junho, em Santo André, na Grande São Paulo. Na ocasião, a Cyberdragons participou de seis disputas e alcançou cinco colocações no pódio.

Foram três primeiros lugares: DRC Explorer, na categoria Sub-14, e Sumô, nas categorias Sub-14 e Sub-19. A equipe também conquistou o segundo lugar em Missão Impossível Sub-14 e o terceiro lugar em Cabo de Guerra Sub-14.

Os estudantes classificados são Rafael Presti Vidal, de 14 anos; Guilherme Gambarotto Oliva dos Santos, de 13; Victor Giliolli Cazarotto, de 14; e Enzo Gabriel Porto Mendonça, de 11 anos.

A expectativa é repetir o desempenho e buscar uma nova classificação internacional, desta vez para o Mundial da FIRA de 2027, previsto para acontecer na Malásia. “A ideia é a gente garantir também, de novo, a vitória para conseguir a classificação para o mundial”, afirmou Matheus.

FIRA ESTADUAL — Cyberdragons conquistou cinco colocações no pódio em Santo André, garantindo participação no torneio nacional da Paraíba. Foto: divulgação/Cyberdragons.

Do Canadá ao Chile: uma trajetória internacional

Em julho, a equipe viajou para Markham, no Canadá, onde disputou o Mundial da FIRA e conquistou o vice-campeonato na modalidade Missão Impossível United, categoria Sub-14.

A competição apresentou desafios surpresa aos participantes, que precisavam interpretar as regras, desenvolver estratégias, montar e programar seus robôs em um intervalo limitado de tempo. Na modalidade United, equipes de diferentes países trabalham juntas. A Cyberdragons formou uma parceria com estudantes canadenses e alcançou a segunda colocação.

Guilherme e Rafael, que também disputarão a etapa nacional na Paraíba, estiveram entre os representantes da Cyberdragons no Canadá.

FIRA CANADÁ — Estudantes da Cyberdragons conquistaram o vice-campeonato mundial na modalidade Missão Impossível United, categoria Sub-14. Foto: divulgação/Cyberdragons.

A equipe também participou de um torneio internacional no Chile, organizado pela Liga Robótica. Na competição, disputou modalidades como sumô, futebol e Viagem ao Centro da Terra, desafio em que o robô precisa percorrer uma pista, realizar o resgate de uma vítima e retornar ao ponto de partida. O melhor resultado foi a quarta colocação nessa última modalidade.

Em território brasileiro, a Cyberdragons acumulou sete premiações entre o primeiro e o terceiro lugares na RoboRAVE Nacional, em Campinas. O desempenho garantiu a classificação para o Mundial de Houston, nos Estados Unidos, previsto para novembro de 2027.

Outras participações incluíram a Tech Liga, em Indaiatuba, com três colocações no pódio, e o Torneio Brasil de Robótica, em São Vicente, no qual a equipe alcançou a melhor pontuação no Desafio Prático.

Robôs que precisam funcionar sozinhos

Uma das características dessas competições é que, em muitas modalidades, os robôs precisam executar as tarefas de maneira autônoma, sem controle remoto.

No sumô, por exemplo, dois robôs disputam espaço em uma arena e precisam empurrar o adversário para fora da área delimitada. Nas provas de missão, os equipamentos devem percorrer trajetos, superar obstáculos e cumprir tarefas determinadas pelas regras. Tudo depende da construção, dos sensores, da programação e das estratégias desenvolvidas pelos estudantes.

"Cerca de 85% do campeonato é feito na escola. Os outros 15% são no dia da competição, quando ajustam alguns valores na programação", explicou Matheus.

Segundo o técnico, pequenas diferenças entre as pistas utilizadas nos treinamentos e as arenas oficiais podem interferir diretamente no desempenho dos equipamentos. A textura do piso, a iluminação e as características dos obstáculos exigem adaptações.

"Uma hora funciona bem; em outra, não funciona, mesmo com a mesma programação e montagem", relatou. Por isso, as competições exigem capacidade de observação, raciocínio rápido e decisões estratégicas.

Muito além da programação

Para Matheus, o maior aprendizado proporcionado pela robótica não está necessariamente nas medalhas. "Não existe campeonato de robótica individual: é tudo em equipe", destacou.

No laboratório do Colégio Vitória, os estudantes recebem metas e desafios, mas são incentivados a desenvolver suas próprias soluções. Eles utilizam materiais de apoio, videoaulas, pesquisas e o conhecimento compartilhado entre os integrantes da equipe. O técnico acompanha as atividades, orienta e ajuda a identificar problemas, mas procura preservar a autonomia dos alunos.

"Eles aprendem muito na tentativa e erro", afirmou Matheus. O processo envolve testar diferentes peças, modificar estruturas, reprogramar movimentos e compreender por que determinadas soluções funcionam ou não.

Além das habilidades técnicas, os estudantes desenvolvem criatividade, organização, responsabilidade, comunicação e capacidade de trabalhar coletivamente.

Estudantes também ajudam a financiar as viagens

Embora a equipe conte com patrocinadores, os alunos também se envolvem em atividades de arrecadação para ajudar a custear inscrições, deslocamentos e outras despesas. Entre as iniciativas estão vendas de pizzas, produtos e ações realizadas por meio da cantina do projeto.

"Eles participam de tudo: vão para a linha de frente vender, organizar e fazer o controle financeiro", contou o técnico. Segundo Matheus, essa participação permite que os estudantes compreendam os esforços necessários para viabilizar as viagens e desenvolvam conhecimentos que vão além do ambiente tecnológico.

Uma escola do interior nas competições mundiais

Depois da etapa nacional da FIRA, na Paraíba, a equipe terá outros compromissos no estado de São Paulo e começará a intensificar a preparação para o Mundial da RoboRAVE, em Houston, nos Estados Unidos, em novembro de 2027.

Para Matheus, a experiência de participar de competições internacionais também exige amadurecimento dos estudantes, que precisam lidar com situações muito diferentes da rotina escolar.

“A parte técnica, como programação, é apenas uma delas. Estar longe de casa tão jovens, ir para outro país, requer muita maturidade e responsabilidade, por isso aposto muito no desenvolvimento de autonomia e independência de forma que eles possam crescer e se formar adultos mais responsáveis e que sabem lidar nas mais diversas situações e problemas”, destacou o técnico.

Essa formação passa tanto pelos desafios enfrentados nas arenas quanto pelas experiências vividas durante as viagens, pela convivência em grupo e pela necessidade de resolver imprevistos.

Entre robôs, circuitos, códigos e desafios, a Cyberdragons segue mostrando que a educação pode ultrapassar as paredes da sala de aula. E que, mesmo partindo de uma cidade do interior paulista, estudantes podem alcançar competições mundiais com conhecimento, dedicação e trabalho em equipe.

Fonte: Portal da Cidade Vargem Grande do Sul

Envie sua notícia