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Testosterona: o hormônio essencial pra todos nós

"Não é só coisa de homem": Dr. Alberto Zogbi desmistifica sintomas da queda hormonal que afeta também as mulheres silenciosamente

Publicado em 16/05/2025 às 12:25
Atualizado em

Papo de Especialista, com o Dr: Alberto Zogbi: Testosterona e saúde masculina: o que você precisa saber (Foto: Arquivo Pessoal)

Olá! Sou o Dr. Alberto Zogbi e hoje quero conversar com vocês sobre um assunto que geralmente é associado apenas aos homens, mas que na verdade afeta a saúde de todos nós: a testosterona.

Durante anos, em meu consultório, tenho observado como a falta de informação sobre este hormônio leva a diagnósticos tardios e problemas de saúde que poderiam ser evitados. Vamos desmistificar este tema e entender por que a testosterona é importante tanto para homens quanto para mulheres.

Testosterona: muito além do "hormônio masculino"

Primeiro, vamos esclarecer algo: embora seja produzida em maior quantidade nos homens, a testosterona está presente e é essencial também no organismo feminino. Nas mulheres, ela é produzida principalmente nos ovários e nas glândulas suprarrenais, enquanto nos homens, a maior parte vem dos testículos.

O que muita gente não sabe é que este hormônio influencia diversos aspectos da saúde em ambos os sexos:

  • Energia física e mental
  • Massa muscular e densidade óssea
  • Metabolismo e distribuição de gordura
  • Humor e função cognitiva
  • Libido e função sexual
  • Saúde cardiovascular
  • Níveis de colesterol e açúcar no sangue

Quando os níveis de testosterona estão adequados, tanto homens quanto mulheres se beneficiam. Quando estão baixos, ambos sofrem consequências, ainda que de formas diferentes.

Como a testosterona afeta homens e mulheres

Nos homens

Nos homens, a queda da testosterona começa geralmente a partir dos 40 anos. Isso leva a mudanças como:

  • Perda de massa muscular (1-2% ao ano)
  • Aumento da gordura abdominal
  • Diminuição da energia
  • Alterações de humor
  • Dificuldades cognitivas
  • Problemas metabólicos (colesterol alto, resistência à insulina)

Nas mulheres

Nas mulheres, a testosterona está presente em quantidades menores, mas não menos importantes. Os níveis podem diminuir gradualmente com a idade e caem significativamente após a menopausa. Quando isso acontece, as mulheres podem experimentar:

  • Fadiga persistente
  • Diminuição da massa muscular e força física
  • Redução da densidade óssea
  • Alterações de humor, incluindo sintomas depressivos
  • Diminuição da libido
  • Dificuldade para manter o peso
  • Problemas de concentração e memória

É importante destacar que, nas mulheres, o equilíbrio entre testosterona e estrogênio é fundamental. Não se trata apenas de ter "mais testosterona", mas sim níveis adequados e equilibrados com outros hormônios.

O impacto da perda muscular em todos nós

Um dos efeitos mais significativos da queda da testosterona, tanto em homens quanto em mulheres, é a perda de massa muscular, conhecida como sarcopenia.


Em minha prática clínica, vejo como este problema afeta a qualidade de vida de pessoas de ambos os sexos. Nossos músculos não servem apenas para aparência ou força – eles são fundamentais para o metabolismo, para a saúde dos ossos e até para a função cerebral.

Quando perdemos massa muscular:

  • Nosso metabolismo desacelera, pois os músculos são grandes consumidores de energia
  • Queimamos menos glicose (açúcar), aumentando o risco de diabetes
  • Nossa postura e equilíbrio são afetados, aumentando o risco de quedas
  • Perdemos independência funcional com o avançar da idade
  • Nossa saúde cardiovascular pode ser comprometida

Estudos recentes têm mostrado uma conexão interessante entre a saúde muscular (especialmente das pernas) e a função cognitiva. Pesquisadores descobriram que pessoas com atrofia muscular nas pernas têm maior risco de desenvolver problemas cognitivos e até demência precoce. Isso vale tanto para homens quanto para mulheres.

O ciclo perigoso que começa com a falta de exercício

Um dos principais fatores que aceleram a queda da testosterona em ambos os sexos é a falta de atividade física, especialmente exercícios de força.

Quando não nos exercitamos regularmente, criamos um ciclo vicioso:

  • Menos exercício → menos estímulo para produção de testosterona
  • Menos testosterona → menos massa muscular
  • Menos massa muscular → metabolismo mais lento
  • Metabolismo mais lento → mais acúmulo de gordura
  • Mais gordura (especialmente abdominal) → mais inflamação
  • Mais inflamação → produção de substâncias que inibem ainda mais a testosterona

Este ciclo afeta homens e mulheres, embora com intensidades diferentes devido às variações hormonais naturais entre os sexos.

Sinais de alerta que você não deve ignorar

Se você identifica alguns destes sinais, independentemente do seu sexo, pode ser que seus níveis de testosterona estejam mais baixos do que o ideal:

  • Cansaço persistente, mesmo após dormir bem
  • Dificuldade para ganhar ou manter músculos, mesmo se exercitando
  • Ganho de peso, especialmente na região abdominal
  • Dificuldade de concentração ou memória
  • Alterações de humor, irritabilidade ou sintomas depressivos
  • Diminuição da libido
  • Recuperação mais lenta após exercícios

Claro que um exame de sangue é a forma mais precisa de saber, mas estes sinais já são um bom indicativo para buscar ajuda médica.

Como manter níveis saudáveis de testosterona

A boa notícia é que podemos fazer muito para manter nossos níveis de testosterona saudáveis, independentemente da idade ou sexo. Baseado em evidências científicas e em minha experiência clínica, recomendo:

1. Exercícios de força

O treinamento de força é provavelmente a estratégia mais eficaz para estimular a produção natural de testosterona. Estudos mostram benefícios significativos tanto para homens quanto para mulheres. Não precisa ser nada extremo – 2 a 3 vezes por semana já traz resultados positivos.

Para mulheres, é importante destacar: treinar com pesos não vai deixá-las com aparência masculinizada. A quantidade de testosterona produzida naturalmente pelo corpo feminino não é suficiente para isso. O que acontecerá é um ganho de força, definição muscular e melhora no metabolismo.

2. Alimentação adequada

Nossa dieta tem um impacto enorme nos hormônios. Recomendo para todos:

  • Proteínas de qualidade em todas as refeições
  • Gorduras boas (azeite, abacate, castanhas, peixes)
  • Vegetais em abundância
  • Redução de açúcares e carboidratos refinados
  • Moderação no álcool

Alguns nutrientes são particularmente importantes para a produção de testosterona, como zinco, vitamina D e magnésio.

3. Controle do estresse

O estresse crônico aumenta o cortisol (hormônio do estresse), que compete diretamente com a testosterona. Técnicas de relaxamento, meditação, hobbies prazerosos e sono de qualidade são fundamentais para todos.

4. Sono adequado

Durante o sono profundo ocorre grande parte da produção hormonal do nosso corpo. Dormir menos de 7 horas por noite está associado a níveis mais baixos de testosterona tanto em homens quanto em mulheres.

5. Manter peso saudável

O excesso de gordura corporal, especialmente na região abdominal, está associado a níveis mais baixos de testosterona. Isso acontece porque o tecido adiposo converte testosterona em estrogênio através de uma enzima chamada aromatase.

6. Acompanhamento médico quando necessário

Em alguns casos, quando os níveis estão muito baixos e causando problemas significativos, intervenções médicas podem ser necessárias. Existem opções para ambos os sexos, sempre com acompanhamento especializado.

Testosterona nas mulheres: desmistificando preconceitos

Um ponto importante que preciso abordar é o preconceito que existe quando falamos de testosterona em mulheres. Muitas pacientes ficam preocupadas quando menciono este hormônio, temendo efeitos masculinizantes.

A realidade é que as mulheres precisam de testosterona, em quantidades adequadas ao organismo feminino. Este hormônio contribui para:

  • Manutenção da massa muscular e óssea
  • Energia física e mental
  • Libido e função sexual
  • Saúde cardiovascular
  • Equilíbrio metabólico

Quando uma mulher apresenta níveis muito baixos de testosterona, especialmente após a menopausa, pode experimentar fadiga crônica, perda muscular acelerada, diminuição da libido e até sintomas depressivos.

Por outro lado, níveis excessivamente altos (como em condições como a síndrome dos ovários policísticos) podem causar outros problemas. O equilíbrio é fundamental.

Como médico, minha missão é ajudar as pessoas a viverem melhor e por mais tempo. O que tenho observado é que muitos de nós, homens e mulheres, aceitamos o declínio físico e mental como uma "fatalidade da idade", quando na verdade muito pode ser feito para manter a vitalidade.

A testosterona é apenas um dos muitos hormônios que influenciam nossa saúde, mas é um dos mais importantes e frequentemente negligenciados, especialmente quando falamos das mulheres.

Não estou falando de "juventude eterna" ou promessas milagrosas. Estou falando de ciência, de evidências que mostram que podemos envelhecer mantendo qualidade de vida, força física e mental.

Lembre-se: seu corpo é o único lugar onde você vai morar a vida toda. Vale a pena investir nele, independentemente do seu sexo ou idade.

 

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