TRABALHO
Safra da batata impulsiona geração de empregos em Vargem Grande do Sul
Segundo dados do Novo Caged, município registrou saldo de 1.076 novas vagas formais em julho, com 1.008 postos criados pela agropecuária
Publicado em
14/09/2026 às 14:40
Atualizado em
Vargem Grande do Sul apresentou o maior saldo de empregos formais entre sete municípios da região de São João da Boa Vista em julho. Foram 1.076 novas vagas de trabalho, resultado que se repetiu em relação ao mesmo mês de 2025. A grande responsável pelo desempenho foi a agropecuária, impulsionada pela safra da batata, que ainda está em andamento.
Segundo dados do Novo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Novo Caged), divulgados em 28 de agosto, o setor agropecuário foi responsável por 1.008 dos novos postos de trabalho registrados no município durante o mês. De acordo com o levantamento, outros setores também contribuíram positivamente para a geração de empregos na cidade. O comércio registrou saldo de 97 vagas, enquanto a construção civil abriu 12. Na outra ponta, a indústria teve saldo negativo de 38 postos e os serviços fecharam três vagas.
AGROPECUÁRIA DOMINA GERAÇÃO REGIONAL
O desempenho de Vargem Grande do Sul foi o principal destaque entre os sete municípios analisados no levantamento regional, que também inclui Aguaí, Casa Branca, Espírito Santo do Pinhal, Mococa, São João da Boa Vista e São José do Rio Pardo.
Na região, a agropecuária foi responsável por 95,7% dos empregos formais criados em julho. Dos 1.996 novos postos registrados nos sete municípios, 1.911 foram gerados pelo setor. O saldo regional ficou 10,5% acima do registrado em julho de 2025, quando haviam sido criadas 1.806 vagas. A agropecuária também apresentou crescimento expressivo na comparação anual: passou de 1.645 empregos gerados em julho do ano passado para 1.911 neste ano, uma alta de 16,2%. O comércio encerrou julho com saldo positivo de 239 vagas e a construção civil, com 26. Já a indústria fechou 125 postos de trabalho e os serviços tiveram saldo negativo de 55 vagas.
Em Vargem Grande do Sul, a forte movimentação provocada pela safra da batata ajuda a explicar a concentração das contratações na agropecuária. A atividade movimenta diferentes etapas da cadeia produtiva, especialmente durante o período de colheita, beneficiamento, transporte e comercialização da produção.
RESULTADO DO ANO AINDA É MENOR
Apesar do bom desempenho registrado em julho, o acumulado de 2026 mostra uma desaceleração na geração de empregos formais na região. Entre janeiro e julho, foram criadas 3.492 vagas, contra 5.686 no mesmo período de 2025, uma redução de aproximadamente 38,6%. No acumulado dos sete primeiros meses deste ano, a agropecuária continua sendo o principal motor do mercado de trabalho regional, com saldo positivo de 3.332 empregos, seguida pela indústria, com 448. Construção, comércio e serviços acumulam saldos negativos de 18, 145 e 125 vagas, respectivamente.
CENÁRIO ECONÔMICO
Para o vice-diretor do Ciesp São João da Boa Vista, Adriano Alvarez, a força da agropecuária no mercado de trabalho acompanha uma característica importante da economia regional. Ao analisar o cenário econômico, ele chama atenção para o peso do café e para as condições atuais do mercado internacional. “O café, até o momento, não demonstra uma queda expressiva de preço. Pelo contrário, todo esse cenário indica que ele deve permanecer com força ainda por muito tempo, e assim esperamos, porque a nossa região depende do café”, afirma.
Para o dirigente, o resultado da indústria também merece atenção. Alvarez observa que boa parte da atividade industrial de São João da Boa Vista está concentrada em etapas intermediárias da cadeia produtiva. “A indústria instalada em São João é, em grande parte, uma indústria de transformação. Ela está no meio do jogo. Temos algumas indústrias com produtos finais, mas elas ainda não são relevantes nas exportações. Além disso, o setor industrial, que muitas vezes depende de investimentos em máquinas, equipamentos e outros insumos para ganhar competitividade, vem sendo afetado pelas altas taxas de juros”, analisa.
OUTRAS CIDADES AVALIADAS
Vargem Grande do Sul liderou a geração de empregos entre as sete cidades analisadas. São José do Rio Pardo ficou na segunda posição, com saldo de 487 empregos, resultado de 1.168 admissões e 681 desligamentos. A agropecuária se destacou a geração de vagas, com saldo de 514 postos. Na comparação com julho de 2025, quando o município havia criado 325 empregos, o resultado cresceu quase 50%. O comércio também fechou julho no azul, com 20 vagas, enquanto indústria (-22) e serviços (-25) apresentaram retração. A construção encerrou o mês em estabilidade.
Mococa registrou saldo positivo de 214 empregos. A agropecuária abriu 255 postos, enquanto a indústria encerrou 71 vagas no mês. O resultado ficou abaixo das 252 vagas criadas em julho do ano passado, uma redução de aproximadamente 15%. Construção (+16), comércio (+9) e serviços (+5) também apresentaram saldo positivo. No total, foram 982 admissões e 768 desligamentos no município.
Casa Branca criou 200 empregos formais em julho. Foram 542 admissões e 342 desligamentos, com destaque para a agropecuária, responsável por 151 vagas. O comércio também teve participação importante, com saldo de 60 postos, enquanto serviços (+12) e construção (+3) fecharam o mês no positivo. A indústria perdeu 26 vagas. Em julho de 2025, Casa Branca havia registrado saldo de 266 empregos, o que representa uma redução de aproximadamente 25% na comparação interanual.
Aguaí fechou o mês com saldo de 27 postos de trabalho, com 465 admissões e 438 desligamentos. A indústria teve o melhor desempenho no município, com 63 vagas. O comércio também apresentou saldo positivo, com 11 empregos. Já serviços (-29), agropecuária (-10) e construção (-8) encerraram julho no negativo. O saldo geral ficou abaixo do registrado no mesmo mês de 2025, quando Aguaí havia criado 55 empregos.
Espírito Santo do Pinhal registrou saldo de 24 empregos, com 1.375 admissões e 1.351 desligamentos. O comércio apresentou saldo positivo de 29 postos, enquanto indústria e serviços ficaram negativos. A agropecuária também contribuiu para o resultado, com 25 vagas, enquanto indústria (-14), serviços (-15) e construção (-1) apresentaram retração. Apesar do saldo ainda modesto, houve uma reversão importante em relação a julho de 2025, quando o município havia fechado 167 postos de trabalho.
Já São João da Boa Vista encerrou julho com saldo negativo de 32 empregos, resultado de 830 admissões e 862 desligamentos. Agropecuária (-32) e indústria (-17) tiveram os principais saldos negativos; comércio (+13) e construção (+4) ficaram positivos, e serviços apresentou estabilidade. O resultado representa uma piora em relação a julho de 2025, quando o município havia registrado praticamente estabilidade, com saldo negativo de apenas uma vaga.
Fonte: Portal da Cidade Vargem Grande do Sul
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