Educação
Diretora de Educação Ranata Taú responde vereadores sobre piso, faltas e uniformes.
Convocada por requerimento, diretora falou sobre carreira, afastamentos, núcleo de atendimento, material didático e uniformes.
Publicado em
21/05/2026 às 13:13
Atualizado em
A diretora municipal de Educação de Vargem Grande do Sul, Renata Taú, participou da 8ª sessão ordinária da Câmara Municipal, realizada na ultima segunda-feira, para responder aos questionamentos dos vereadores sobre diversos temas relacionados à rede municipal de ensino. A convocação ocorreu semanas após a professora Lucila Ruiz Garcia utilizar a tribuna livre do Legislativo para denunciar problemas estruturais na Educação, incluindo o não pagamento do piso nacional do magistério, falta de profissionais de apoio para alunos da educação especial, gastos com substituições e críticas ao sistema apostilado adotado pelo município.
Logo no início, o vereador Paulinho questionou a diretora sobre pedidos antigos de cobertura em unidades escolares, citando demandas relacionadas à Escola Flávio Iared, à unidade Nair Bolonha e à Escola Padre Donizetti. Renata respondeu que outras escolas também precisam de intervenções semelhantes e afirmou que o município vem tratando essas melhorias de forma gradual.
“Na verdade, não são só essas escolas. Inclusive, tem outras escolas que também precisam de cobertura. Nós estamos fazendo levantamento, estamos colocando aos poucos”, afirmou Renata Taú.
Ainda em resposta a Paulinho, a diretora disse que a administração chegou a tentar abrir processo para contratação, mas não obteve orçamentos suficientes para dar andamento à licitação. Ela afirmou que o prefeito estuda retomar o procedimento. Ao ser questionada sobre a possibilidade de uso de recursos da Educação, Renata declarou que, atualmente, o Fundeb tem sido utilizado principalmente para folha de pagamento.
“O Fundeb, na verdade, a gente usa ultimamente só para pagar folha de pagamento”, disse.
Paulinho também perguntou sobre contratações para substituição de profissionais afastados por licenças médicas. Renata afirmou que o custo anual aproximado com esse tipo de substituição é de R$ 500 mil e informou que, em 2025, foram registrados 7.295 dias de afastamento de professores e educadores que demandaram substituições.
“O ano passado, durante todo o ano, nós tivemos 7.295 dias de afastamento de professor, independente da categoria”, afirmou. “Às vezes tem sala que eu pago três professores para uma sala só, que é em substituição de quem está sendo afastado.”
Na mesma sequência, Paulinho abordou o uso de um prédio adquirido com recursos da Educação, onde funciona um núcleo de atendimento. Renata explicou que o espaço atende crianças com dificuldades de aprendizagem e reúne psicólogos, psicopedagogos, assistente social e terapeuta ocupacional. Segundo ela, cerca de 290 crianças já passaram pelo serviço.
A diretora afirmou que o núcleo realiza avaliações, mas não emite laudos médicos. Os relatórios produzidos, segundo ela, podem subsidiar atendimentos com pediatras e neurologistas.
“O trabalho de avaliação de alunos não pode ser realizado dentro de escola, tem que ser fora do espaço escolar”, explicou. “Nós não laudamos. Eles fazem as avaliações, aplicam os testes, e esse resultado vai para o médico, pediatra ou neuro.”
Paulinho ainda questionou o uso de recurso de R$ 400 mil relacionado ao programa Escola em Tempo Integral. Renata explicou que a verba veio do Governo Federal após ampliação de vagas em período integral e foi utilizada no início de 2026 para pagamento de profissionais que atuam em unidades com esse atendimento, especialmente nas creches. O vereador também cobrou informações sobre a ampliação da Creche Dona Cesarina e sobre o novo plano de carreira do magistério. A diretora respondeu que a obra depende de encaminhamentos ligados a convênio com o Estado e afirmou que o plano de carreira está em fase final de elaboração pela empresa Graboski Advogados Associados.
“Esse projeto está em fase de finalização”, disse Renata. “Deve estar estourando aí até o mês que vem, acho que já passa para discussões e para encaminhar para a Câmara.”
Na sequência, o vereador Gustavo Bueno pediu a palavra e questionou o impacto das substituições causadas por professores efetivos que ocupam cargos de direção, vice-direção e coordenação. Renata informou que cerca de 30 profissionais estão nessa condição e explicou que esse impacto não está incluído no valor aproximado de R$ 500 mil citado anteriormente, referente a licenças. Ela se comprometeu a levantar o custo específico desses afastamentos por cargos de gestão.
Gustavo também questionou o enquadramento das educadoras e o pagamento do piso do magistério. Renata afirmou que a implantação envolve estudos financeiros e que a dificuldade principal está na situação financeira da Prefeitura, mas disse que a expectativa é que o novo plano de carreira contemple as adequações necessárias.
“O plano de carreira vai ser uma lei e, a partir dali, não tem como não pagar mais”, afirmou. Em outro momento, acrescentou: “O que impede é a situação financeira da Prefeitura.”
Ainda respondendo a Gustavo Bueno, a diretora disse que o Executivo busca formas de viabilizar o pagamento do piso, mas ressaltou que a qualidade do ensino deve permanecer como prioridade. O vereador também perguntou sobre capacitação de auxiliares de escola e sobre o sistema apostilado. Renata explicou que a empresa Moderna oferece formações ligadas ao sistema de ensino e que também há contratação semestral de assessoria especializada, citando Ricardo Tabarim e equipe, com custo aproximado de R$ 9 mil.
Sobre o material didático, Renata afirmou que o sistema apostilado é utilizado há cerca de cinco anos e inclui, além das apostilas, formação, assessoria pedagógica e avaliações diagnósticas. Segundo ela, o material do Governo Federal, pelo PNLD, não chega de forma padronizada para todas as escolas, o que dificulta a unificação da rede.
O vereador Serginho foi o próximo a se manifestar e perguntou sobre o valor do piso salarial dos professores e a comparação com cidades vizinhas. Renata respondeu que os valores variam conforme a categoria e reconheceu que Vargem Grande do Sul está entre os municípios que ainda não adequaram o piso. Ela afirmou que, em anos anteriores, os estudos financeiros apontavam falta de condições para o pagamento, mas indicou possibilidade de avanço em 2026.
“Agora esse ano parece que vai conseguir”, disse a diretora, ao responder sobre a possibilidade de adequação salarial.
Serginho também questionou a possibilidade de utilizar materiais enviados pelos governos federal e estadual em substituição às apostilas compradas pelo município. Renata explicou que o material federal nem sempre chega em quantidade suficiente e pode variar de uma escola para outra. Já o material estadual, segundo ela, vem sendo testado em 2026 para avaliação da rede.
Depois, a vereadora Vanessa Martins perguntou se 2026 foi o primeiro ano de envio do material do Governo do Estado e se a adesão teria relação com repasses de verba. Renata explicou que o programa estadual começou no ano anterior e que Vargem Grande do Sul aderiu neste ano para conhecer o material, sem vinculação com aumento de repasses.
Vanessa também pediu explicações sobre o funcionamento do núcleo de atendimento, a emissão de laudos e a participação das famílias. Renata reforçou que a equipe não emite laudos e que as famílias têm aderido aos atendimentos. Segundo ela, quando a avaliação não aponta necessidade de encaminhamento para laudo, a criança pode permanecer em estimulação pedagógica por aproximadamente seis meses, com acompanhamento semanal.
“A dificuldade está lá, o professor detectou. Aí as psicopedagogas fazem uma estimulação para poder trabalhar os conteúdos de aprendizagem de português, matemática, enfim, através de jogos, de outra forma”, explicou.
A vereadora também questionou a decisão sobre o material a ser usado no próximo ano. Renata informou que a rede deve aplicar uma pesquisa com professores até o fim de junho para avaliar se o material do Estado atende às necessidades do município ou se o sistema apostilado deve ser mantido.
Na sequência, o vereador Felipe Gadiani cobrou planejamento para o pagamento do piso nacional do magistério e perguntou se existe data prevista. Renata afirmou que a intenção é pagar ainda em 2026, mas disse não poder estabelecer prazo, porque a decisão depende de tratativas entre o prefeito e o setor financeiro.
“A pretensão é pagar ainda esse ano, mas eu não posso estabelecer uma data, porque aí depende da tratativa do prefeito com o financeiro”, afirmou.
Felipe também abordou o atendimento de crianças com necessidades específicas e questionou a atuação de estagiários como apoio. Renata respondeu que a legislação prevê profissional de apoio e que não é exigida, necessariamente, formação em pedagogia. Segundo ela, a rede conta atualmente com 34 estagiários, mas ainda há necessidade de ampliação.
“Hoje nós estamos com 34 estagiários na rede e que dão apoio. Falta aumentar ainda, falta”, disse. “A gente tem dificuldade de contratar, inclusive, o estagiário.”
O vereador Fernando pediu informações sobre professores que faltam com frequência e perguntou se os nomes poderiam ser encaminhados à Câmara por meio de requerimento aprovado em plenário. Renata reiterou o número de 7.295 faltas ou afastamentos substituídos em 2025 e afirmou que consultaria o setor jurídico sobre a possibilidade de envio nominal, por envolver dados pessoais dos servidores.
O vereador Parafuso foi o próximo a falar e questionou a previsão de entrega dos uniformes escolares. Renata explicou que houve atraso no processo licitatório porque a primeira empresa colocada não apresentou amostras no prazo exigido, obrigando o município a convocar a segunda colocada.
“Até o final de junho tem que estar todos os uniformes aqui”, afirmou a diretora.
Após Parafuso, Gustavo Bueno pediu novamente a palavra e questionou o planejamento da entrega dos uniformes. Ele citou um vídeo divulgado no início do ano pelo prefeito Celso Ribeiro, junto de vereadores, anunciando a questão. Renata explicou que, naquele momento, o prefeito havia autorizado a abertura do processo licitatório e que os trâmites legais começaram a partir dali.
“Aquele dia ele autorizou a abrir o processo licitatório. Aí tem o processo licitatório, tem todos os prazos legais para serem cumpridos”, respondeu.
Gustavo ainda perguntou sobre avaliações, material didático e a expectativa em relação ao Ideb. Renata afirmou que os alunos são avaliados por diferentes instrumentos, como Saeb, Saresp e avaliações diagnósticas do próprio sistema de ensino, todos alinhados à BNCC. Sobre o Ideb, disse que a nota oficial ainda não havia sido divulgada, mas afirmou que a expectativa do Departamento de Educação é de aumento no indicador.
“Pelos resultados das provas que nós já recebemos e pelos nossos cálculos, nosso Ideb vai ter um aumento considerável”, disse. “Eu acho que é um conjunto. Está atrelado ao trabalho dos professores na sala de aula, mas também à estrutura da escola, alimentação, transporte e todos os profissionais envolvidos.”
Ao encerrar sua participação, Renata Taú afirmou que o Departamento de Educação permanece aberto aos vereadores e à população para esclarecimentos. Ela disse não ter pretensão política e declarou que o foco da pasta é melhorar continuamente o atendimento às crianças da rede municipal.
“A gente trabalha pela educação e o trabalho da educação a gente mostra resultados”, disse. “A gente trabalha só pela educação, só com o interesse de melhorar cada vez mais a educação.”
Fonte: Portal da Cidade Vargem Grande do Sul
Notícias relacionadas
Empresa é notificada por atraso na entrega de uniformes escolares
09/07/2026 às 16:14
Empresas da região podem se inscrever no novo ciclo do ALI Produtividade
30/06/2026 às 15:39
Cadastro para reembolso do transporte escolar será entre 1º e 15 de julho
24/06/2026 às 16:30
Lucila Garcia denuncia crise na educação e Prefeitura responde
30/04/2026 às 12:18
Prefeitura antecipa pagamento do transporte escolar
30/03/2026 às 15:38
Transporte de alunos mais caro gera incerteza sobre reembolso da Prefeitura
19/01/2026 às 13:34