Portal da Cidade Vargem Grande do Sul

TAXA DE 50%

Taxação de Trump pode gerar desemprego em Vargem Grande do Sul e região

Café é o produto mais exportado por Vargem e os americanos são um dos principais compradores; outros setores na região também preocupam.

Publicado em 12/07/2025 às 08:43
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Café é o produto mais exportado em Vargem Grande do Sul (Foto: Reprodução)

Se a taxa de 50% sobre os produtos brasileiros entrar em vigor nos Estados Unidos a partir de 1° de agosto, como promete Donald Trump, a região de Vargem Grande do Sul deve sofrer forte impacto negativo no setor do agronegócio, analisa Adriano Fontão Alvarez, vice-diretor regional do Ciesp. Produtores de café, laranja, carnes e de outros setores poderão sofrer com a medida. 

Em 2024, os principais produtos exportados por Vargem Grande do Sul foram café, chá, mate e especiarias (US$ 1,69 mi), seguidos por máquinas, aparelhos e instrumentos mecânicos (US$ 0,58 mi), segundo o Ciesp. Os Estados Unidos são um dos principais consumidores do café brasileiro, que sai de Vargem e de cidades da região, como explica Alvarez, destacando o impacto do setor.

"Você tem cidades que são grandes produtoras em alho, limão, equipamentos de café. Espírito Santo do Pinhal é líder na produção de máquinas de café e também em trader [venda] de café. A produção tá no Sul de Minas, mas é escoada por Pinhal e São João da Boa Vista muitas vezes. Estamos falando algo em torno de R$ 30 bilhões por ano", comenta.

Com a taxa de 50%, o desemprego pode acontecer em diversos setores, inclusive no café. “Você causar uma ruptura de negócios que estão funcionando, estamos falando de desemprego, infelizmente”, enfatiza.


Café de Vargem e cidades da região é muito consumido pelos americanos (Foto: Reprodução)

Outro fator importante é que, caso a taxação se concretize, a expectativa é de que os produtos possam diminuir nas prateleiras dos mercados brasileiros, mas isso só no início. “A gente vai ver isso acontecer porque isso machuca a previsibilidade. Isso de curto prazo pra população é interessante porque você tem uma queda de preço, mas a longo prazo você perde um grande player na importação, perde uma previsibilidade de exportação de grandes volumes e isso vai afetar o dólar, então acaba pegando a gente em outra parte. E você tem um desestímulo à produção, então no médio prazo, vai ocorrer um outro efeito, o preço vai voltar pra cima”.

Perguntado se Trump pode recuar, Alvarez diz que o presidente dos Estados Unidos sofrerá pressões da população e das empresas daquele país, já que o Brasil fornece produtos que são consumidos diariamente pelos americanos.

O tamanho do impacto que vai ser causado pra ele, será grande. Estamos falando de produtos do convívio do norte-americano, é da rotina. Ele [Trump] vai sofrer uma pressão”, comenta. “Vai impactar seriamente a vida do americano. Vai causar problema para alimentação de crianças porque suco de laranja é uma alimentação cotidiana”, completa.

Laranja e Borracha de Casa Branca

                                
Casa Branca é maior produtora de Laranja e Borracha do Brasil (Foto: Terra Viva/Internet)

Casa Branca tem a segunda maior área irrigada do estado de São Paulo, sendo a maior produtora de borracha e laranja do Brasil. A fruta, inclusive, está diariamente nas casas dos norte-americanos, um dos maiores compradores da laranja casa-branquense, movimentando mais de R$ 230 milhões anualmente. Com as taxas, a produção deve diminuir e demissões não são descartadas.

"Estamos falando de bilhões de faturamento. É expressivo o resultado em laranja e borracha exportados de Casa Branca. São bilhões exportados para os Estados Unidos, Alemanha e outros países da Europa”, comenta Alvarez sobre a produção na cidade nos últimos anos.

Esperança e Reciprocidade


Adriano Alvarez, vice-diretor regional do Ciesp (Foto: Divulgação)

O vice-diretor revela que tem esperança de que, com diplomacia, o governo brasileiro possa chegar a um acordo com os Estados Unidos para que a tarifa não seja concretizada. Também lembra que se o Brasil adotar a política da reciprocidade, como foi dito por Lula caso não chegue a um acordo, os preços de produtos que consumimos dos Estados Unidos, subirão, prejudicando também o agronegócio brasileiro, que depende dos defensivos agrícolas que são importados do país de Trump, por exemplo.


Fonte: Portal da Cidade Vargem Grande do Sul