Portal da Cidade Vargem Grande do Sul

Desabafo na Câmara

Mãe apela aos vereadores para reavaliação escolar da filha em sessão na Câmara

Aluna de Vargem ganhou direito de fazer reavaliação de série; mãe briga na justiça, que determina pagamento de multa diária por descumprimento.

Publicado em 22/05/2024 às 15:49
Atualizado em

(Foto: Tv Câmara)

Uma mãe tem lutado para que a filha de 9 anos possa ser reavaliada e avançar do 3º para o 4º ano na rede de ensino de Vargem Grande do Sul. Na noite desta terça-feira (21), Juliana Zocolatto foi até a Câmara pedir ajuda aos vereadores.

Ela destaca que a filha está numa escola particular e apta para estudar no 4º ano, mas por causa da idade, está no 3º. A justiça já determinou que a diretoria de educação realize uma avaliação para ver se a garota está apta a cursar o 4º ano. a escola nada pode fazer nesse sentido. O descumprimento tem gerado multa diária ao município no valor de R$ 1 mil.

Tudo começou na pandemia, quando Juliana, que é professora formada em magistério, graduada em marketing, MBA em recursos humanos e administração, entre outros, conseguiu um novo emprego na coordenação pedagógica em São João da Boa Vista. Ela mudaria para a cidade vizinha, mas veio a pandemia e os planos foram adiados. Com as aulas à distância nas escolas, decidiu por conta própria, ensinar a filha em casa no sistema homeschooling (estudo em casa).

Juliana Zocolatto, mãe de aluna, pede ajuda aos vereadores (Foto: TV Câmara)

Sabia que não adiantava colocar ela na escola porque, como eu iria colocar uma criança adiantada pra aprender à distância, ead? Optei por continuar ensinando em casa. Conheci o homeschooling, no qual é liberado por vários países. Somos em 17 mil famílias esperando a legalização [no Brasil]. Não me arrependo porque minha filha aprendeu muito. Ela sabe muito”, conta a mãe Juliana.

Entretanto, a menina sentiu falta do ambiente escolar, de estudar com outras crianças. Quando as aulas presenciais voltaram, pediu à mãe para retornar à escola, uma escola pública. Juliana atendeu o pedido e solicitou a matricula para o 2º ano. Porém, a escola informou que não poderia matriculá-la no 2º, pois ela não tinha idade suficiente. Sendo assim, a mãe procurou a justiça para que a escola fizesse uma avaliação e de acordo com a nota, colocasse a criança numa série que estaria de acordo com a capacidade dela e não pela idade.

Depois de muitas de tentativas sem resultados, a menina desenvolveu crise de ansiedade e depressão. Ela não quis frequentar o primeiro ano. Pelas faltas, acabou repetindo. Atualmente, deixou a escola pública. Mesmo estando em escola particular, o Ministério Público não exime a diretoria de ensino da cidade como responsável por aplicar a reavaliação. 

Nos capítulos mais recentes desse caso, novamente foi solicitado reavaliações por capacidade da criança e não pela idade. A luta da mãe se arrasta até os dias atuais. Hoje, a criança está no 3º ano, mas deveria ser reavaliada e cursar o 4º ano, segundo a mãe.

A justiça determinou que se aplique uma avaliação para entender a capacidade e a série adequada para que a aluna estude. O descumprimento da decisão implica em multa diária de R$ 1 mil dos cofres públicos.

Após decisão favorável do MP, o caso está suspenso, assim como as multas, aguardando uma decisão final do juiz responsável, que deve sair nos próximos dias. 

Qual o dano eu causo no município por solicitar uma avaliação por capacidade?”, questiona a mãe.

Diretoria de educação 

O Portal da Cidade acompanha o caso e no dia 25 de abril, questionou a prefeitura por qual motivo a reavaliação não era feita. Em nota enviada somente na data desta quarta-feira (22), quase um mês após a primeira solicitação da reportagem, a diretoria de educação informou que não pode passar informações do caso, pois envolve menor de idade, mas que cumpriu todas as decisões judiciais. 

A mãe diz que não, como visto acima na matéria. 

Na nota, também informa que não houve fixação de multa, mas o Portal da cidade teve acesso ao processo, que destaca inicialmente o pagamento de R$ 500 diários e depois passando para R$ 1 mil (ambos limitados a 30 dias). Como neste momento o processo está suspenso aguardando nova decisão do juiz, as multas não são aplicadas. 

Câmara

Após ouvir o desabafo da mãe na tribuna, o vereador Paulinho da Prefeitura pediu à comissão de educação para que convoque a diretora de educação, cobrando explicações.

Celso Itaroti não entende o motivo de não ser aplicada a reavaliação mesmo após ordem judicial. “Não entendo. Deve ser perseguição pessoal”, disse o vereador.

Leia a nota da prefeitura: 

"O caso envolve menor, o que impossibilita de informar a respeito, cabendo a própria mãe da criança prestar as informações solicitadas. Cabe, apenas relatar que a Prefeitura Municipal cumpriu todas as decisões judiciais, não houve fixação de multa. Atualmente o juízo local suspendeu a decisão de reavaliar a criança, estando no prazo da parte interessada se manifestar", diz a nota.

Fonte: Portal da Cidade Vargem Grande do Sul