RISCO DE EXCLUSÃO
Vereadores de Vargem apoiam APAEs contra decreto do Governo Federal
Decreto determina a universalização das matrículas de estudantes com deficiência em classes comuns.
Publicado em
05/11/2025 às 16:16
Atualizado em
A Federação das APAEs do Estado de São Paulo critica o Decreto nº 12.686/2025 que institui a Política Nacional de Educação Especial Inclusiva e a Rede Nacional de Educação Especial Inclusiva. Publicado pelo Governo Federal no dia 20 de outubro, o texto determina a universalização das matrículas de estudantes com deficiência em classes comuns, proposta que, segundo a entidade, pode representar um retrocesso social e jurídico.
Na sessão da Câmara de Vargem Grande do Sul na última segunda-feira (3), os vereadores aprovaram uma moção de repúdio contra o decreto.
“A verdade nos entrega profundo e perigoso retrocesso. Como podemos pensar naquelas crianças que necessitam de uma atenção especial, complexa e que a APAE consegue entregar, voltando para escolas regulares que na prática a gente sabe que não têm condições, estrutura e amparo para fornecer atenção necessária a esses alunos?”, destacou o vereador Gustavo Bueno autor da moção de repudio.

“Inserir esses alunos nas escolas não representa inclusão. Essas pessoas demandam uma atenção especial e numa sala regular, dificilmente vão ter condições de aprender e desenvolver. Inclusão sem recurso com essa sobrecarga de trabalho, ao invés de incluir vai trazer essa exclusão velada”, completou Bueno.
A presidente da Federação, Cristiany de Castro, afirma que o decreto extrapola os limites constitucionais e legais, ao transformar a preferência pela inclusão em escolas regulares em obrigatoriedade absoluta. “O movimento Apaeano defende a inclusão com pluralidade de ofertas, ou seja, a coexistência entre classes comuns e escolas especializadas, como asseguram a Constituição Federal e a LDB”, destacou.
Para a Feapaes-SP, ao propor a universalização da matrícula em classes comuns, o texto desconsidera as especificidades de estudantes com deficiência intelectual, múltipla e transtorno do espectro autista, que necessitam de apoio intensivo e continuado.

Cristiany de Castro, presidente da Federação das APAEs do estado de São Paulo (Foto: Reprodução/Instagram)
A presidente alertou que, se aplicado sem ajustes, o decreto pode impactar diretamente o funcionamento das Apaes em São Paulo. A obrigatoriedade da matrícula exclusiva em escolas regulares, segundo ela, pode reduzir convênios e parcerias, levar ao fechamento de turmas e à descontinuidade de atendimentos especializados, prejudicando milhares de estudantes.
“As escolas regulares, na maioria dos municípios, ainda não dispõem de estrutura, equipe técnica e recursos pedagógicos suficientes para acolher adequadamente alunos que necessitam de apoio intensivo e contínuo”, afirmou.
A Feapaes-SP também chama atenção para o risco da chamada “exclusão silenciosa”, situação em que o aluno é matriculado, mas não recebe o suporte necessário para aprender e se desenvolver.
Fonte: Portal da Cidade e GCN
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