O vereador Paulo César da Costa, o conhecido Paulinho (Podemos), deverá responder na Justiça por conta de uma publicação que fez esta semana nas redes sociais. Ao comentar uma postagem no Facebook, ele debochou da moradora Andreza Bucci – que passou por sérios problemas pessoais –, chegando ao ponto de incitar uma tentativa de suicídio. O caso tem ganhado repercussão e caracteriza a quebra de decoro parlamentar.
Conforme apurado, a cidadã fez um comentário a respeito da situação do hospital e o edil, sem justificativa alguma, partiu para o ataque pessoal. “Você deveria ter feito um grande serviço a sua família. Ter feito um bom serviço pulando no meio do pontilhão”, publicou Paulinho.
Em resposta, ela rebateu: “Ainda bem que você está acostumado a lidar com Justiça, porque, se não sabe, acabou de cometer um crime! Isso não me afeta, mas afeta muitos que tem depressão, que por sinal aqui não tem tratamento... Deveria mesmo se preocupar com a saúde mental!”, disse. “Eu deveria denunciar seu comentário! Mas sou muito bem resolvida com isso graças ao Deus que sirvo”, completou Andreza.
Repercussão
Não demorou muito para que várias pessoas saíssem em defesa da vítima após o comentário de Paulinho incitando a tentativa de suicídio dela. “Não creio que um vereador deu essa resposta! Em nenhum momento ela te atacou pessoalmente!”, disse uma internauta.
Os comentários foram printados e rapidamente se espelharam pelas redes sociais.

Medidas judiciais
Diante do constrangimento sofrido, Andreza publicou uma nota e adiantou que tomará medidas judiciais contra Paulinho. “Venho a público manifestar minha total indignação e repúdio às palavras criminosas e violentas proferidas contra mim pelo vereador Paulo César da Costa, que, em uma rede social, incitou publicamente que eu cometesse suicídio, me ofendendo, humilhando e tentando me silenciar. Este tipo de conduta é inaceitável, ainda mais vindo de uma autoridade pública, que deveria zelar pela dignidade dos cidadãos, pela saúde mental e pelos direitos das mulheres e das pessoas com deficiência”, declarou.
“Informo que todas as medidas judiciais, criminais e administrativas estão sendo tomadas. Este não é apenas um ataque contra mim, mas contra toda pessoa que luta diariamente contra a depressão, a ansiedade, a dor e as dificuldades da vida. Precisamos, como sociedade, dizer BASTA! Basta de políticos que usam do poder para atacar, humilhar e ferir o outro”, destacou a cidadã. “Não vão me calar. Não vão me parar. Eu sigo, com fé, com dignidade e com coragem. E faço isso não só por mim, mas por todos que sofrem e que merecem respeito”, concluiu.
O que diz a lei?
O artigo 122 do Código Penal Brasileiro define o crime de induzimento, instigação ou auxílio ao suicídio ou à automutilação. A pena é de reclusão de seis meses a dois anos.
Pedido de desculpas
Procurado pelo Portal da Cidade, Paulinho se redimiu e admitiu que o comentário feito foi impróprio. “Eu reconheço que errei. Sou amigo dela. Ela trabalhou com a gente na campanha de 2008. Conheço ela desde essa época. Tinha muito amizade com a tia dela, a Tonha, que já faleceu e era minha grande amiga. A Sandra Piscinato, ex-vereadora e prima dela, também tenho o maior respeito”, disse.
O vereador relatou que o embate ocorreu após ele fazer uma postagem sobre um requerimento aprovado pelo Poder Legislativo e da realização de visitas em algumas entidades. “Eu tinha colocado que sou leigo e a gente iria ver a possibilidade da Câmara fazer uma consulta no IGAM para pagar uma auditoria. Seria na Mão Amiga, do fato que o [vereador] Ratinho relatou na Câmara”, contou. “Eu errei. Peço desculpas à Andreza e toda sua família”, finalizou o edil.