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Editorial

A vergonha que ultrapassou os limites de Vargem Grande do Sul

Os casos envolvendo vereadores não são episódios isolados; são sinais de uma cultura política que exige resposta firme e imediata da própria Câmara

Publicado em 04/06/2026 às 08:43
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Ofensa proferida pelo vereador Fernando Corretor é exposta em rede nacional (Foto: Redes Sociais)

Vargem Grande do Sul voltou a ganhar destaque na imprensa nacional. Infelizmente, não por uma conquista, uma iniciativa inovadora ou um exemplo de boa gestão pública. Desta vez, o município estampou manchetes em todo o Brasil por conta de uma fala lamentável proferida durante a sessão da Câmara Municipal desta segunda-feira (2).

Ao responder a uma professora durante uma discussão sobre descontos no auxílio-alimentação dos servidores, o vereador Fernando Corretor (Republicanos) afirmou: "Eu ganho mais que a senhora. Cinco vezes mais".

A frase, por si só, já demonstra um preocupante distanciamento entre representante e representado. Quando um vereador utiliza sua condição salarial para tentar desqualificar uma professora, o debate deixa de ser sobre ideias, argumentos ou soluções para a população e passa a ser sobre arrogância.

Professores formam médicos, engenheiros, empresários, trabalhadores e também políticos. São profissionais que carregam uma das maiores responsabilidades da sociedade: educar as futuras gerações. Utilizar a diferença salarial como instrumento de ataque não diminui a professora. Diminui o cargo que deveria representar toda a população.

O episódio também levanta uma pergunta inevitável: como se sentem os eleitores que confiaram seu voto a um representante que, diante de uma divergência, escolhe a humilhação em vez do diálogo?

O mais preocupante é que este não é um caso isolado.

Recentemente, outro vereador da cidade, Paulo César da Costa, o Paulinho (Podemos), foi alvo de forte repercussão após publicar nas redes sociais uma mensagem direcionada a uma moradora que enfrentava sérios problemas pessoais, chegando a sugerir que ela deveria ter atentado contra a própria vida. O caso gerou indignação, motivou pedido de quebra de decoro parlamentar e repercutiu amplamente entre os moradores. No entanto, como infelizmente muitos já esperavam, a denúncia acabou arquivada e nenhuma consequência efetiva foi aplicada.

Quando episódios graves são tratados com naturalidade ou terminam sem qualquer responsabilização, a mensagem transmitida à sociedade é perigosa: a de que determinados comportamentos são tolerados dentro do Legislativo.

A Câmara Municipal existe para fiscalizar, legislar e representar a população. Não para constranger professores, atacar cidadãos ou transformar divergências em agressões pessoais.

Diante da repetição desses episódios, cabe ao presidente da Câmara, Maicon Canato, e aos demais vereadores refletirem seriamente sobre o papel da instituição que representam. Não se trata de uma questão partidária, mas de respeito à população e à própria credibilidade do Poder Legislativo.

A imagem de Vargem Grande do Sul não pode continuar sendo associada a manchetes de ofensas, ataques e falta de decoro. A cidade merece ser notícia por seus avanços, não pelos excessos de seus representantes.

Se nada mudar, restará ao eleitor uma triste certeza: a cada eleição, em vez de escolher propostas para o futuro, estará escolhendo qual será a próxima polêmica a envergonhar a cidade.

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